O que transborda e me deixa vazia

Minha personalidade se baseia em ser a amiga engraçadinha, que faz piada com tudo e tenta levar a vida com humor. Mas, infelizmente, nem sempre essa tática dá certo. E quando não consigo, fico perdida, porque não sei ser de outro jeito. Para mim, demonstrar emoções mais profundas é extremamente difícil, e meu único mecanismo de defesa é me esconder atrás de um humor que nem é tão bom assim. Então, quando isso falha, fico apática, chata. E hoje é um desses dias.
Mas, dessa vez, eu sei o motivo. É o amor. Sim, ele, que basicamente é a razão de tudo existir e, ao mesmo tempo, a causa da destruição de tantas coisas. Um cientista cria uma nova invenção por amor à ciência. Uma mulher engravida por amor ao marido. Alguém faz um bolo por amor ao seu dom. Mas também se travam guerras em nome do amor à pátria. Pessoas morrem por amor. E, por amor a si mesmo, um relacionamento precisa acabar. O amor está em tudo — no que sabemos e no que não sabemos, no que vemos e no que está invisível. E ele é a causa de todos os corações partidos.
Não estou dizendo que meu coração está partido. Na verdade, o dono do meu amor é tão gentil que nem seria capaz de quebrá-lo. Não. No lugar disso, ele me deixa aqui, sozinha e sem respostas, sem saber o que fazer com todo esse amor que tenho apenas para ele. E, numa quinta-feira qualquer, olho para o céu e peço que ele também esteja pensando em mim. Tolice, né? Não, não é. O amor não é tolo. Irracional, sim, mas tolo jamais. É o sentimento mais lindo que alguém pode sentir, e como me dói quando alguém não consegue valorizá-lo. Precisamos do amor para viver tanto quanto precisamos do ar para respirar. Foi o amor que nos trouxe até aqui e, como diz Renato Russo: "Sem amor, eu nada seria".
Na verdade, tudo isso que escrevo é um desabafo. Um desabafo sobre como eu queria ser amada dessa forma. Como queria que as pessoas ficassem por mim. Que me deixassem ser eu mesma, com toda a intensidade dos sentimentos que eu escondo. Costumo dizer que não sinto nada, mas isso é uma imensa mentira. Eu sinto tudo. E, por sentir tanto, me transbordo e fico vazia, com um espaço imenso precisando ser preenchido.
Eu faço dietas malucas, mudo meu cabelo, pinto minhas unhas, cuido da minha pele, me adapto, me moldo, me transformo... Mas nada disso parece ser suficiente para fazê-lo me querer. Talvez ele já me ache bonita. Talvez tentar demais seja o problema. Mas eu não sei ser de outra maneira. Ou talvez o amor que eu tanto busco seja, na verdade, o amor próprio. Talvez, com ele, minha vida comece a se encaixar e fazer sentido. Mas, quando ouço "amor próprio", me parece uma expressão tão vazia, como se fosse algo que não existe. Talvez eu só ainda não o conheça. E espero que, quando encontrá-lo, meu amado possa ser meu.
